Luto não é só perda. É também um processo de reconstrução.

Parece um paradoxo, mas amar é também elaborar lutos. O sofrimento resultante das perdas é o preço a pagar por amarmos tanto. Mas é também nestas perdas que nos transformamos, que aquilo que amamos se transforma. É pela perda que resgatamos a nossa humanidade. E por isso ela é necessária para sinalizar a presença, a ausência, a fantasia, a desilusão, a coragem, o medo, a inibição e a vida. É pela perda que repensamos a saudade como uma oportunidade que o amor nos traz. Com a interrupção do contacto físico, inicia-se um caminho de reconstrução do vínculo que se torna agora simbólico, dentro de cada um. É esta necessidade de nos reencontrarmos com a pessoa que morreu através do amor compartilhado. Um vínculo que passa a ser restabelecido internamente num lugar seguro. Um tempo que se renova, o reconfigurar de um processo que nos leva a uma reconstrução. De nós e do nosso mundo envolvente.

O luto não é só perda. É também um processo de reconstrução e reorganização de nós mesmos.
Se a pessoa trouxe na sua vida amor, alegria, paz, crescimento, força e sentido de vida, então, não é justo que tudo isso tenha morrido com ela. É através desta perceção de valor e de significado que se emerge aos poucos da dor.
A morte coloca-nos, irremediavelmente, diante do mistério da vida. Impõe-nos silêncio, vazio e reflexão. E é desde aí, desde o vazio e da reflexão, da rutura e da crise, a morte ensina-nos a viver.

@ Teresa Alves, Psicóloga