Luto não é só perda. É também um processo de reconstrução.

Parece um paradoxo, mas amar é também elaborar lutos. O sofrimento resultante das perdas é o preço a pagar por amarmos tanto. Mas é também nestas perdas que nos transformamos, que aquilo que amamos se transforma. É pela perda que resgatamos a nossa humanidade. E por isso ela é necessária para sinalizar a presença, a ausência, a fantasia, a desilusão, a coragem, o medo, a inibição e a vida. É pela perda que repensamos a saudade como uma oportunidade que o amor nos traz. Com a interrupção do contacto físico, inicia-se um caminho de reconstrução do vínculo que se torna agora simbólico, dentro de cada um. É esta necessidade de nos reencontrarmos com a pessoa que morreu através do amor compartilhado. Um vínculo que passa a ser restabelecido internamente num lugar seguro. Um tempo que se renova, o reconfigurar de um processo que nos leva a uma reconstrução. De nós e do nosso mundo envolvente.

O luto não é só perda. É também um processo de reconstrução e reorganização de nós mesmos.
Se a pessoa trouxe na sua vida amor, alegria, paz, crescimento, força e sentido de vida, então, não é justo que tudo isso tenha morrido com ela. É através desta perceção de valor e de significado que se emerge aos poucos da dor.
A morte coloca-nos, irremediavelmente, diante do mistério da vida. Impõe-nos silêncio, vazio e reflexão. E é desde aí, desde o vazio e da reflexão, da rutura e da crise, a morte ensina-nos a viver.

@ Teresa Alves, Psicóloga

O que esperar da terapia?

Pensa em marcar a sua primeira consulta de psicologia, mas tem vindo a adiar por não saber o que esperar deste processo, se realmente precisa de acompanhamento psicológico, o que falar na primeira consulta?

Então este artigo, poderá ajudá-lo(a) a desconstruir algumas destas questões.

Em psicoterapia é esperado um processo ativo de autodesoberta, aceitação e mudança. Psicólogo e paciente envolvem-se num compromisso de trabalhar para que o paciente atinja os seus objetivos terapêuticos, supere os seus problemas e/ou sintomas que o levaram a procurar ajuda.

É natural que numa primeira consulta possa sentir alguma ansiedade sobre o que falar, algum desconforto por estar a abordar questões tão pessoais, tantas vezes silenciadas ao longo dos anos, com um profissional que não conhece. Afinal, os assuntos que abordamos com um psicólogo envolvem questões íntimas e é natural que possa sentir inicialmente alguma resistência, vergonha, medo, dúvidas. Contudo, esses sentimentos devem ir diminuindo à medida que há uma continuidade do processo, em que vai comprovando que a fala e a escuta terapêuticas são diferentes daquelas que tem com amigos ou familiares. A relação terapêutica que vai estabelecendo com o psicólogo ao longo do processo é a chave para a sua evolução. Uma relação que se espera de confiança, honesta e segura.

“Quando podemos falar sobre os nossos sentimentos, eles tornam-se menos perturbadores, menos assustadores.” (Fred Rogers)

Um dos aspetos mais interessantes sobre a terapia é que as pessoas procuram respostas e ficam frustradas se não as encontram no imediato. Aquelas que por outro lado, vão em busca de perguntas, sentem-se bem e fazem um ótimo progresso. A terapia ficou conhecida como uma atividade onde encontramos respostas. Em certa parte, sim. Mas encontramos sobretudo muitas e muitas perguntas. O psicólogo não é o profissional que tem todas as respostas para a sua vida, ele tem as perguntas.  Os psicólogos não dão as respostas, primeiro porque não tem as suas respostas e em segundo lugar, porque interessa-lhes que seja você a aprender o raciocínio.  Em terapia criam-se as respostas. Não sabemos o que  é melhor para si, é você quem sabe. Nós, psicólogos, somos aqueles que o guiam e ajudam a reconhecer os seus potenciais, os seus recursos, crenças, as suas fragilidades, e a usá-las de uma forma adequada e segura para si, para chegar ao que é melhor para si. A ideia de que o psicólogo tem as respostas de antemão é errada, ele tem sim as perguntas. Isto porque estuda a mente, o comportamento e organiza-se para ajudar tudo isso a funcionar. As perguntas são os recursos. Sem elas não há terapia.

1. Quando devo consultar um psicólogo?

Pode simplesmente experimentar fazer terapia sem esperar sentir-se doente ou porque tem percebido e observado alguns sinais e sintomas que parecem começar a ficar fora do seu controlo, geradores de desconforto e mal-estar permanente. Embora sejam estes últimos os motivos pelos quais a maioria das pessoas recorre à terapia, existem outros igualmente legítimos, nomeadamente a procura numa ótica de prevenção de doenças do foro psicológico, de desenvolvimento pessoal, cujo objetivo é a melhoria da qualidade de vida.

2. O que esperar da consulta de psicologia?

Acolhimento: Independentemente do tipo de abordagem utilizada pelo psicólogo, irá sentir-se acolhido, ouvido e respeitado nas suas narrativas;

Confidencialidade: O psicólogo está abrangido pelo dever da confidencialidade, pelo que todo o conteúdo das sessões ficará em sigilo do profissional;

Ausência de julgamentos: O psicólogo é um profissional que está ali para o ajudar, não tendo consigo qualquer vínculo familiar e/ou social, adota uma postura neutra, não emitindo quaisquer juízos de valor ou julgamentos. O objetivo é a identificação das questões a trabalhar ao longo do processo e as suas necessidades.

Prática baseada em evidência: A psicologia é uma ciência. Portanto, todo o processo psicoterapêutico segue procedimentos e técnicas estudadas e validadas cientificamente através de uma vasta investigação. O psicólogo rege a sua conduta por um código de ética rígido e não irá emitir opiniões pessoais, tecer qualquer tipo de críticas ou fazer por si escolhas e tomadas de decisão. Toda a conduta do psicólogo e qualquer pontuação, diagnóstico e tratamento seguido será sempre baseado em evidências científicas.

Da sua parte, é esperado um compromisso com este processo. Uma vez iniciado o acompanhamento, é importante que vá aumentando o seu compromisso com a terapia, a assiduidade às consultas, o à vontade com o seu psicólogo. Não encarar a consulta como mais uma tarefa obrigatória do seu dia, ou como um sacrifício, mas sim como uma hora e um espaço de autocuidado, de investimento em si, no seu bem-estar, na sua saúde.  Este será sempre um espaço seu. Na primeira consulta e seguintes terá oportunidade de expor todas as suas dúvidas ao seu psicólogo, terão oportunidade de discutir a frequência das consultas, e demais questões que envolvem um processo desta natureza. É importante que vá comunicando ao seu psicólogo possíveis desconfortos, para que juntos os possam ultrapassar. O processo terapêutico não se extingue naquela hora de consulta, o que se trabalha em terapia deve ser motivo de reflexão no seu dia-a-dia, nas suas atividades, onde terá oportunidade de ir testando novas ferramentas, habilidades e ganhos da terapia, para traçar o seu caminho de mudança.

É fundamental saber esperar pelos resultados. Não espere resultados imediatos, ou não todos aqueles que deseja alcançar. A terapia requer tempo. Como processo que é requer tempo, um trabalho que permita chegar a resultados sustentados. Embora possa ser pautada por momentos densos e complexos, o evoluir desta parceria entre psicólogo e paciente é algo muito compensador.

A nossa saúde mental é a espinha dorsal do nosso bem-estar. Faça do seu autocuidado uma prioridade.

@ Teresa Alves, Psicóloga

Uma realidade interna da depressão

A ausência de motivação ou desejo é um dos fatores mais evidentes na depressão, pois anestesia a iniciativa e põe à prova a vontade. A pessoa com depressão sente-se sem forças e por isso tenta economizá-las ao máximo. 

Segundo a teoria da autodiscrepância de Higgins, o nosso “eu” possui três aspetos: o “eu real”, enquanto representação mental dos atributos que a pessoa acredita possuir, como a inteligência, o talento e aparência física; o “eu ideal”, a representação mental dos atributos que a pessoa deseja ou espera possuir, ou que acredita que os outros acham que ela deveria possuir e o “eu dever”, o que indica como deveríamos ser com base nos costumes e nos papéis sociais que desempenhamos. Sempre que existe uma discrepância entre o eu ideal e o eu real, há uma forte probabilidade da pessoa desenvolver uma depressão. 

Como ocorre esta discrepância nas pessoas com depressão?

Existe o “eu” que nos define, aquele que somos na realidade e no momento presente, mas existe aquele “eu” em que nos poderíamos tornar. E dentro desse campo de possibilidades existiria assim o “eu ideal”.

Você pode estar convicto de que é uma pessoa competente, inteligente e trabalhadora, mas se na vida real essas características não geram os resultados esperados, surge um conflito interno. Neste caso, seria a incompatibilidade entre o eu ideal e o eu real que abriria um caminho para a depressão. A autoestima, que quando fragilizada nos torna mais vulneráveis à depressão e que em sentido contrário está intimamente relacionada com o nosso bem-estar psicológico, tende também a depender desta distância percebida entre os nossos eu real e o ideal. E esta é uma das componentes que mais beneficia do encurtamento desta distância.

A narrativa interna, a forma como nos descrevemos assume um papel importante já que este eu real e ideal se relacionam com base na história que construímos sobre nós mesmos e em como acreditamos que os outros nos percebem. Assim, com base nesta teoria, é provável que, se aparecem sinais de depressão, estejamos em conflito interno, a procurar enfrentar uma discrepância significativa entre estes dois componentes.

Os padrões internos que se constituem fatores de manutenção durante os períodos depressivos levam-nos a acreditar que o nosso eu ideal está muito longe do nosso eu real. Para aproximar essas duas realidades, podemos começar por focar no que poderíamos mudar e nos nossos padrões e diálogos internos.

Talvez não se trate de alcançar a perfeição, mas sim de reconhecer que há um espaço enorme para melhorias e superações. Tratar-se a si mesmo com respeito proporciona-lhe um maior equilíbrio emocional e autoconfiança para estabelecer alguns objetivos enquanto descarta outros.

Um melhor controlo das nossas expetativas e a frustração que pode derivar delas, irá contribuir para sair deste ciclo. Falamos de direcionar as forças que ainda não foram levadas pela depressão para lugares que nos devolvam o controlo e a sensação de bem-estar. Em estados depressivos, mais do que um foco na sintomatologia, deve ser dada uma especial atenção à forma como a pessoa se sente consigo mesma. E esta poderá ser uma das chaves da origem da depressão.

À luz desta teoria, a depressão pode, eventualmente, funcionar como um sinal de alerta para que prestemos atenção às nossas discrepâncias internas e podermos assim ter a oportunidade de reduzir a distância entre elas. A psicoterapia pode ser a ferramenta mais poderosa da qual dispomos para que nos possamos superar o desespero, a tristeza ou da apatia. A psicoterapia é  uma mensagem de esperança para pessoas que vivem com depressão, porque funciona.

A vinculação nas relações amorosas

A necessidade de pertença inicia-se e não se extingue na infância. Esta necessidade de pertença, de relacionamento apresenta-se como essencial para o bem-estar físico e psicológico ao longo de todo o percurso de vida. Desde o nascimento que são formados vínculos com outros significativos. É de resto, uma questão de sobrevivência aquando do nascimento, a vinculação e a dependência de terceiros por um longo período da vida.  A vinculação estabelece-se desde muito cedo, no início do desenvolvimento e regra geral, esta é feita com o cuidador primário. Esta relação é determinante, na medida em que nos fornece a estrutura cognitiva de como vamos perceber e interagir com o mundo após a primeira infância.

Há um critério que não está presente, necessariamente, em outros vínculos afetivos, que é a experiência de segurança e conforto obtidos no relacionamento com o parceiro e ainda a capacidade de se deslocar da base segura fornecida pelo parceiro, com confiança para se envolver em outras atividades.

O conceito de vínculo afetivo é concebido como um laço relativamente longo em que o parceiro é importante enquanto indivíduo único e insubstituível. Perante um vínculo afetivo há um desejo em manter a proximidade com o parceiro. E embora esta proximidade possa, até certo ponto, ter continuidade ao longo do tempo e distância, há pelo menos um desejo intermitente de restabelecer proximidade e interação, existindo prazer aquando da união e cuja separação inexplicável provoca angústia e a perda permanente, muita dor.  Vinculação é um vínculo ativo e portanto, uma figura de vinculação nunca é totalmente substituível, mesmo encontrando-se o mesmo em outras figuras. Na vinculação, como nos laços afetivos, há uma necessidade de manter a proximidade, há angustia na separação inexplicável, prazer e alegria na união e sofrimento na perda. Contudo, há um critério que não está presente, necessariamente, em outros vínculos afetivos, que é a experiência de segurança e conforto obtidos no relacionamento com o parceiro e ainda a capacidade de se deslocar da base segura fornecida pelo parceiro com confiança, para se envolver em outras atividades.

É esta capacidade dos seres humanos de formar modelos representativos dos outros e de si próprios, que lhes permite sustentar um vínculo entre o tempo e a distância, no entanto, isso não nos permite perceber porque alguns relacionamentos alcançam essa qualidade transcendente e outros não. A este propósito, a vinculação poderia ser melhor explicada pela forma como os indivíduos se percebem a si próprios e aos outros nas suas relações. Esta visão, integra o trabalho realizado sobre a vinculação adulta, baseando-se ainda nas conceções de Bowlby, de que diferentes modelos de funcionamento interno podem ajudar a compreender diferentes visões do próprio e dos outros nos relacionamentos. Com isso, emergiram quatro protótipos na base da visão positiva e negativa do indivíduo sobre si próprio e sobre os outros nos seus relacionamentos. Os indivíduos seguros, aqueles que têm uma visão positiva de si e dos outros e que geralmente têm uma elevada autoestima e confiança nos outros; os indivíduos preocupados, que se caracterizam por uma visão negativa de si e uma visão positiva dos outros, o que os leva a uma elevada dependência de terceiros; os amedrontados, que apresentam uma imagem negativa de si e dos outros e são encarados como indivíduos que temem relacionamentos íntimos e evitam contactos sociais, pela dificuldade que apresentam em confiar nos outros ou de depender deles e os indivíduos desinvestidos, os quais se sentem confortáveis sem relacionamentos próximos, sendo muito importante para estes indivíduos sentirem-se independentes e autossuficientes e preferem não depender de outros, nem ter terceiros a depender de si.

A teoria da vinculação, desenvolvida por Bowlby, destacou o sistema comportamental, o qual é parte fundamental de várias espécies e que engloba os comportamentos reprodutivo, parental, alimentação, exploração. Este manifesta-se por um comportamento cujo resultado previsível é o de manter o indivíduo próximo de outros significativos. Tal como outros sistemas comportamentais básicos, acredita-se que a vinculação é resultado de um processo de seleção natural porque se traduziu numa forma de sobrevivência ao oferecer proteção.

Nos vínculos com o par romântico/sexual, são três os sistemas básicos envolvidos nas ligações desta natureza: o reprodutivo, o de vinculação e o de cuidado. Este último, está envolvido de duas formas, dar atenção ao parceiro e compartilhar com o parceiro o cuidado aos mais novos. O vínculo com o par sexual não é característico em todas as espécies, pois o sistema reprodutivo pode atingir o seu resultado funcional sem um vinculo duradouro entre os parceiros. Nas espécies onde esta ligação dos pares ocorre, o sistema de cuidado está inerente, geralmente com o ser masculino preocupado com o cuidado, através da proteção. No caso dos humanos, é óbvio que o acasalamento pode ocorrer sem que haja a formação de um vínculo, contudo, são várias as sociedades humanas que tendem a promover vínculos duradouros através de costumes como o casamento, sejam elas monogâmicas ou poligâmicas. No curso de uma relação sexual de longo prazo, seja no casamento habitual ou não, o apego de um parceiro ao outro também tende a ser construído e os componentes de vinculação e de cuidado interagem entre si por forma a criar um relacionamento recíproco. Normalmente, e dependendo das ocasiões, parece que um é mais forte e mais sábio, e o outro responde, fornecendo cuidados, conforto e tranquilidade, promovendo sentimentos de segurança. Embora a atração sexual possa ser a componente mais importante no início de um relacionamento, o que é facto é que as relações que dependem inteiramente desta componente sexual tendem a ser pouco duradouras. À medida que o relacionamento persiste, o cuidado, o vínculo, tornar-se-ão mais importantes e tendem a manter-se vinculados mesmo quando o interesse sexual diminui. Mesmo após existir uma rutura ou separação do casal, o vínculo, sendo duradouro, persiste, mesmo quando a separação foi muito desejada, existindo uma tendência para o sentimento da solidão. Alguns autores concetualizam o amor romântico como um processo de vinculação e encontraram uma relação entre o modelo de funcionamento interno e os estilos de vinculação numa relação romântica, pessoas com diferentes estilos de vinculação possuem diferentes crenças sobre o curso do amor romântico e o seu amor próprio. Essas mesmas crenças podem fazer parte de um ciclo (vicioso no caso de indivíduos inseguros), onde a experiência afeta as crenças sobre si próprio e o sobre o próprio relacionamento.

Tal como outros sistemas comportamentais básicos, acredita-se que a vinculação é resultado de um processo de seleção natural porque se traduziu numa forma de sobrevivência ao oferecer proteção.

Em algumas relações os componentes de cuidado e de vinculação podem não ser simétricos e recíprocos, mas de alguma forma complementares e alguns podem assemelhar-se à relação pai e filho, em que um parceiro é essencialmente a criança que busca proteção e cuidado do outro, que é encarado como mais forte e mais sábio. Essas relações, embora não idealmente seguras, podem, no entanto, ser duradouras. Em muitas relações, existem outras componentes além destas três fundamentais de base biológica, em que os cônjuges podem ser parceiros profissionais ou de negócios ou podem gastar mais tempo do que o habitual juntos porque compartilham os mesmos interesses e atividades de lazer,  as quais podem ou não contribuir para a sua persistência ao longo do tempo.

Relação terapêutica: O veículo para a mudança

Iniciar um processo terapêutico é ainda um desafio para muitas pessoas. Uma das formas mais efetivas para superar esta resistência inicial poderá ser o investimento na relação terapêutica. Esta relação vai sendo construída ao longo de todo o processo, mas que é definida desde o primeiro contacto, se o paciente tem desde a primeira sessão uma experiência positiva com o terapeuta. A relação terapêutica constitui-se uma componente primária do processo. É a partir desta relação (bem conseguida) que o paciente se sentirá confortável o suficiente para uma narrativa mais completa, pois esta favorece um maior compromisso e envolvimento com a terapia e superação de eventual resistência inicial. Fatores como sentir-se acolhido, respeitado, ser recebido com escuta ativa, atenção, competência e empatia, sentir-se respeitado nos seus silêncios e palavras, são indicadores de uma relação segura e é a partir deste vínculo que a mudança se pode efetivar.

Também o reconhecimento deste fator, por parte do terapeuta, é preponderante para uma condução mais eficaz do processo. A produção de espaço de trocas, fala e escuta, de cumplicidades e responsabilidades, de vínculos e aceitações, são frutos de um trabalho clinicamente implicado. Com frequência, o paciente faz relatos nunca antes partilhados no seu circulo pessoal. E se alguns apresentam facilidade desde um primeiro contacto, o contrário também pode acontecer e podem levar algumas sessões até que consigam expor determinadas experiências, queixas ou dificuldades. E é por tudo isto que as primeiras sessões são muito centradas nestes alicerces, confiança, segurança e confidencialidade. São estas bases que uma vez consolidadas, permitem um ambiente seguro, estando facilitada a intervenção.

Uma relação terapêutica bem estabelecida é aquela que deixa implícito algo muito interessante: a importância da participação ativa do cliente na terapia e no seu próprio processo. O terapeuta por sua vez, tem o papel de favorecer o desenvolvimento do processo individual, permitindo que este aconteça. E é essa relação que se estabelecerá que será vista como um esforço colaborativo entre terapeuta e paciente. É este o meio através do qual são facilitados os principais aspetos de mudança.