A necessidade de pertença inicia-se e não se extingue na infância. Esta necessidade de pertença, de relacionamento apresenta-se como essencial para o bem-estar físico e psicológico ao longo de todo o percurso de vida. Desde o nascimento que são formados vínculos com outros significativos. É de resto, uma questão de sobrevivência aquando do nascimento, a vinculação e a dependência de terceiros por um longo período da vida. A vinculação estabelece-se desde muito cedo, no início do desenvolvimento e regra geral, esta é feita com o cuidador primário. Esta relação é determinante, na medida em que nos fornece a estrutura cognitiva de como vamos perceber e interagir com o mundo após a primeira infância.
Há um critério que não está presente, necessariamente, em outros vínculos afetivos, que é a experiência de segurança e conforto obtidos no relacionamento com o parceiro e ainda a capacidade de se deslocar da base segura fornecida pelo parceiro, com confiança para se envolver em outras atividades.
O conceito de vínculo afetivo é concebido como um laço relativamente longo em que o parceiro é importante enquanto indivíduo único e insubstituível. Perante um vínculo afetivo há um desejo em manter a proximidade com o parceiro. E embora esta proximidade possa, até certo ponto, ter continuidade ao longo do tempo e distância, há pelo menos um desejo intermitente de restabelecer proximidade e interação, existindo prazer aquando da união e cuja separação inexplicável provoca angústia e a perda permanente, muita dor. Vinculação é um vínculo ativo e portanto, uma figura de vinculação nunca é totalmente substituível, mesmo encontrando-se o mesmo em outras figuras. Na vinculação, como nos laços afetivos, há uma necessidade de manter a proximidade, há angustia na separação inexplicável, prazer e alegria na união e sofrimento na perda. Contudo, há um critério que não está presente, necessariamente, em outros vínculos afetivos, que é a experiência de segurança e conforto obtidos no relacionamento com o parceiro e ainda a capacidade de se deslocar da base segura fornecida pelo parceiro com confiança, para se envolver em outras atividades.
É esta capacidade dos seres humanos de formar modelos representativos dos outros e de si próprios, que lhes permite sustentar um vínculo entre o tempo e a distância, no entanto, isso não nos permite perceber porque alguns relacionamentos alcançam essa qualidade transcendente e outros não. A este propósito, a vinculação poderia ser melhor explicada pela forma como os indivíduos se percebem a si próprios e aos outros nas suas relações. Esta visão, integra o trabalho realizado sobre a vinculação adulta, baseando-se ainda nas conceções de Bowlby, de que diferentes modelos de funcionamento interno podem ajudar a compreender diferentes visões do próprio e dos outros nos relacionamentos. Com isso, emergiram quatro protótipos na base da visão positiva e negativa do indivíduo sobre si próprio e sobre os outros nos seus relacionamentos. Os indivíduos seguros, aqueles que têm uma visão positiva de si e dos outros e que geralmente têm uma elevada autoestima e confiança nos outros; os indivíduos preocupados, que se caracterizam por uma visão negativa de si e uma visão positiva dos outros, o que os leva a uma elevada dependência de terceiros; os amedrontados, que apresentam uma imagem negativa de si e dos outros e são encarados como indivíduos que temem relacionamentos íntimos e evitam contactos sociais, pela dificuldade que apresentam em confiar nos outros ou de depender deles e os indivíduos desinvestidos, os quais se sentem confortáveis sem relacionamentos próximos, sendo muito importante para estes indivíduos sentirem-se independentes e autossuficientes e preferem não depender de outros, nem ter terceiros a depender de si.
A teoria da vinculação, desenvolvida por Bowlby, destacou o sistema comportamental, o qual é parte fundamental de várias espécies e que engloba os comportamentos reprodutivo, parental, alimentação, exploração. Este manifesta-se por um comportamento cujo resultado previsível é o de manter o indivíduo próximo de outros significativos. Tal como outros sistemas comportamentais básicos, acredita-se que a vinculação é resultado de um processo de seleção natural porque se traduziu numa forma de sobrevivência ao oferecer proteção.
Nos vínculos com o par romântico/sexual, são três os sistemas básicos envolvidos nas ligações desta natureza: o reprodutivo, o de vinculação e o de cuidado. Este último, está envolvido de duas formas, dar atenção ao parceiro e compartilhar com o parceiro o cuidado aos mais novos. O vínculo com o par sexual não é característico em todas as espécies, pois o sistema reprodutivo pode atingir o seu resultado funcional sem um vinculo duradouro entre os parceiros. Nas espécies onde esta ligação dos pares ocorre, o sistema de cuidado está inerente, geralmente com o ser masculino preocupado com o cuidado, através da proteção. No caso dos humanos, é óbvio que o acasalamento pode ocorrer sem que haja a formação de um vínculo, contudo, são várias as sociedades humanas que tendem a promover vínculos duradouros através de costumes como o casamento, sejam elas monogâmicas ou poligâmicas. No curso de uma relação sexual de longo prazo, seja no casamento habitual ou não, o apego de um parceiro ao outro também tende a ser construído e os componentes de vinculação e de cuidado interagem entre si por forma a criar um relacionamento recíproco. Normalmente, e dependendo das ocasiões, parece que um é mais forte e mais sábio, e o outro responde, fornecendo cuidados, conforto e tranquilidade, promovendo sentimentos de segurança. Embora a atração sexual possa ser a componente mais importante no início de um relacionamento, o que é facto é que as relações que dependem inteiramente desta componente sexual tendem a ser pouco duradouras. À medida que o relacionamento persiste, o cuidado, o vínculo, tornar-se-ão mais importantes e tendem a manter-se vinculados mesmo quando o interesse sexual diminui. Mesmo após existir uma rutura ou separação do casal, o vínculo, sendo duradouro, persiste, mesmo quando a separação foi muito desejada, existindo uma tendência para o sentimento da solidão. Alguns autores concetualizam o amor romântico como um processo de vinculação e encontraram uma relação entre o modelo de funcionamento interno e os estilos de vinculação numa relação romântica, pessoas com diferentes estilos de vinculação possuem diferentes crenças sobre o curso do amor romântico e o seu amor próprio. Essas mesmas crenças podem fazer parte de um ciclo (vicioso no caso de indivíduos inseguros), onde a experiência afeta as crenças sobre si próprio e o sobre o próprio relacionamento.
Tal como outros sistemas comportamentais básicos, acredita-se que a vinculação é resultado de um processo de seleção natural porque se traduziu numa forma de sobrevivência ao oferecer proteção.
Em algumas relações os componentes de cuidado e de vinculação podem não ser simétricos e recíprocos, mas de alguma forma complementares e alguns podem assemelhar-se à relação pai e filho, em que um parceiro é essencialmente a criança que busca proteção e cuidado do outro, que é encarado como mais forte e mais sábio. Essas relações, embora não idealmente seguras, podem, no entanto, ser duradouras. Em muitas relações, existem outras componentes além destas três fundamentais de base biológica, em que os cônjuges podem ser parceiros profissionais ou de negócios ou podem gastar mais tempo do que o habitual juntos porque compartilham os mesmos interesses e atividades de lazer, as quais podem ou não contribuir para a sua persistência ao longo do tempo.
