Como retirar os melhores benefícios da terapia

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São muitas as dúvidas de quem chega pela primeira vez a um consultório de psicologia. O que esperar do psicólogo, o que dizer, como funciona, o que esperar de si mesmo.
Depois de iniciar e com o tempo, cada pessoa vai percebendo exatamente como funciona e a maioria elabora o seu processo de uma forma muito eficaz. São muitas as pessoas reticentes em iniciar, que ao final de algumas sessões partilham comigo frases como “se soubesse que era assim tinha vindo antes. Toda a gente devia ter acesso e poder fazer terapia. Hoje digo a todas as pessoas que conheço que deviam fazer terapia.”

Ficar algumas sessões com a sensação de estar “perdido” pode também fazer parte e está tudo bem, cada um encontra-se no seu tempo neste processo.

Se há coisa que nós, os psicólogos, somos, é pacientes para esperar o tempo de cada pessoa e conduzir o seu processo da forma mais benéfica para si.
Quer já esteja em terapia, quer esteja a ponderar iniciar, deixo-lhe algumas dicas de como pode tirar o melhor proveito deste processo, que o podem auxiliar nesta tomada de decisão e obter melhores resultados terapêuticos:
1. Adote uma postura de abertura
Se você procurou terapia, é porque tem questões suas que deseja resolver. Fale abertamente sobre elas. O consultório de psicologia é um lugar de não julgamento, para que você possa falar sobre tudo o que precisa.
O psicólogo estará preparado e disponível para conhecer o que você considera melhor e pior em si.
2. Envolva-se no processo
Este é um aspeto crucial. A terapia é diferente de um tratamento médico, em que o paciente relata as suas queixas e o profissional lhe diz exatamente o que deve fazer para melhorar. A terapia é um processo. É um espaço seu, para falar sobre si e, com a ajuda e intervenções do psicólogo, compreender melhor o seu mundo interno, descodificar sentimentos, emoções, crenças, padrões de comportamento e com isso, descobrir maneiras mais eficazes de resolver questões e encontrar soluções suas para os próprios problemas.
Portanto, trabalhe em conjunto com o seu psicólogo. Aproveite os conhecimentos e os recursos que ele tem para lhe oferecer. Envolva-se, comprometa-se com o processo, seja assíduo às sessões combinadas previamente. Descubra-se a si mesmo, encontre as suas respostas.
3. Desenvolva uma postura de curiosidade
Estar em terapia significa desenvolver um grande interesse por si mesmo, e o trabalho terapêutico não se resume aos cerca de 60 minutos de cada sessão. Observe-se no seu dia-a-dia, leve reflexões e perceções que lhe tenham surgido, entre sessões, para o próximo encontro. Se for preciso, anote.
4. Não se preocupe em impressionar
A relação terapêutica pode ser tão bem conseguida que pode ser tentador querer tornar-se amigo pessoal do seu psicólogo e procurar impressiona-lo. Não procure esta relação de “amizade”. A terapia só é eficaz e funciona, exatamente porque não tem com o psicólogo qualquer vínculo pessoal e/ou familiar. É desta forma que o psicólogo pode ser imparcial e ético na condução do seu processo. Foque-se antes na construção de uma boa relação terapêutica. É nesta que deve investir para obter melhores resultados terapêuticos.
5. Converse sobre a terapia na terapia
Se em algum momento tiver dúvidas sobre o seu processo terapêutico, sobre a postura do psicólogo, se algo não fizer sentido para si, pergunte, questione, confronte, esclareça todas as suas dúvidas. Aproprie-se daquele espaço e tempo, ele é seu. É a si que tem de fazer sentido.
6. Não se assuste com a resistência
Não espere que a terapia seja apenas agradável. É claro que há sessões em que o que você mais precisa é “desabafar” sobre algo que o está a incomodar. E estas sessões são também importantes, das quais sairá com uma sensação de alívio. Porém, será quase inevitável não ter sessões onde terá de ser feito um trabalho mais aprofundado, tocar em feridas, e nesses momentos pode sentir vontade de ir embora, desistir ou sentir que está a piorar. Não se assuste. Faz parte. Converse sobre esses desconfortos com o psicólogo. Isso vai ajudar a reforçar a confiança, a relação terapêutica. O esperado é que falar disso, ajude a curar o que dói.
7. Celebre os seus resultados
Por fim, prepare-se também para se gratificar pelo seu trabalho, ter mais autoconhecimento, melhorar as suas relações, equilíbrio emocional, ganhar autonomia e habilidades para resolver as suas dificuldades. Os ganhos também são para ser sentidos. O mérito é sempre seu. O psicólogo é um guia que está ali para si.
 
Não espere encontrar soluções para um problema específico sem que, à partida, tenhamos de abrir e reorganizar algumas “gavetas”. É essencial neste processo percebermos exatamente as raízes do problema, da dificuldade e como chegamos até ali. O que é relatado num primeiro momento quase sempre é o sintoma. E muitas vezes, este sintoma foi formado ao longo de vários meses, anos. Permita-se ter tempo, não o pode querer resolver em algumas horas. A terapia abre os seus horizontes e, com isso, irá observar algumas mudanças emocionais e de comportamento, nas quais estará envolvido.
Fazer terapia é mergulhar dentro de nós mesmos, numa viagem de autodescoberta e mudança.
 
@ Teresa Alves,  Psicóloga